Por Tayla Pereira
Você deve estar achando estranho numa revista voltada para a saude mental ter algo voltado para o pole dance, não é mesmo? Pois então…. é isso mesmo! O objetivo desses artigos será a psicoeducação, visando desmistificar a prática e ajudar mulheres a se soltarem para essa atividade física, ainda tão cheia de tabus e que traz na bagagem tantos bloqueios emocionais.
O preconceito contra o pole dance ainda é uma realidade. Muitas mulheres que iniciam na modalidade enfrentam julgamentos externos — e, muitas vezes, internos. Comentários velados, olhares atravessados e associações equivocadas podem ativar sentimentos de vergonha, culpa e inadequação.
Do ponto de vista psicológico, o preconceito toca diretamente em feridas relacionadas à aceitação e pertencimento. Somos seres sociais: quando escolhemos uma prática que desafia normas culturais, podemos reativar traumas ligados à rejeição ou à necessidade de aprovação. E mais do que isso, mexer em feridas que estão diretamente relacionadas à sexualidade. Não porque a prática exige isso, mas sim porque o rótulo social mexe diretamente com esse paradigma, principalmente em torno da sensualidade, vulgarização e prostituição.
Muitas alunas relatam que escondem das pessoas que praticam pole. Outras enfrentam críticas dos familiares. Esse conflito pode gerar ansiedade e até abandono da prática, por vergonha e/ou represália. Porém, quando há acolhimento e um ambiente seguro, o pole dance se transforma em ferramenta terapêutica: fortalece a autoestima, promove autonomia corporal e
reconstrói a relação com o próprio corpo.
Além disso, o pole dance segue um ritmo próprio. Ninguém chega já fazendo acrobacias e tendo que subir na barra. Primeiramente é feito um aquecimento para evitar lesões, pra depois começar aprender os movimentos. É trabalhado coordenação motora, fortalecimento muscular, desenvoltura física e força, muita força. É ensinado as técnicas pra subir na barra e conseguir fazer os movimentos corporais, sustentação aérea e a dança fluída. São etapas, tudo é um processo e que não tem idade limitante. Qualquer mulher pode vir se desenvolver, segue um ritmo próprio das suas capacidades. Assim, as aulas são diferenciadas pra cada aluna, apesar da mesma turma. Divide-se em nivel iniciante, intermediário e avançado, conforme evolução individual, mesmo estando numa mesma turma.
Não há competição interna, torna-se um grupo de autoajuda, onde uma estimula a outra a se desenvolver, enfrentar seus medos e tornar-se a cada aula melhor.
O enfrentamento do preconceito se torna também um exercício de fortalecimento psíquico. A cada aula, a aluna aprende não apenas movimentos, mas a sustentar sua escolha diante do mundo. O pole, nesse contexto, deixa de ser apenas físico — torna-se um ato de coragem emocional.
Referências:
LOWEN, A. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000. VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
