Pole dance e sagrado feminino: reconectar-se ao corpo após a desconexão

Por Tayla Pereira

Muitas mulheres cresceram aprendendo a se afastar do próprio corpo.

Comentários sobre peso, postura, roupa e comportamento constróem uma vigilância constante. Em casos mais delicados, experiências de abuso, humilhação ou repressão sexual criam uma dissociação corporal como mecanismo de proteção.

O conceito de sagrado feminino propõe exatamente o oposto: reconexão.

Reconhecer o corpo como território legítimo de existência. Isso porque se trata de um movimento de cura, autoconhecimento e empoderamento que busca reconectar as mulheres com sua essência, sabedoria ancestral e ciclos naturais (menstrual e lunar). É uma filosofia de vida que valoriza a intuição, o corpo feminino e o resgate da energia feminina, frequentemente através da promoção para a sororidade e o amor-próprio. É um olhar para as emoções, para as feridas internas e do caminho pra cura. 

O pole dance, nesse contexto, pode funcionar como um ritual contemporâneo de retomada. Ao tocar a barra, sustentar o próprio peso e explorar movimentos circulares, a mulher não apenas treina força — ela reocupa o próprio espaço físico e simbólico.

Subir na barra é um gesto de elevação, mas também de aterramento. A prática exige presença. E presença é um antídoto contra a dissociação.

Quando a mulher volta a sentir, sustentar e habitar o próprio corpo, inicia-se um processo profundo de reintegração psíquica. O sagrado feminino deixa de ser conceito abstrato e se torna experiência vivida.

Referências:

LOWEN, A. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.

JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000. VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.