Em briga de marido e mulher, mete-se a colher

Por Fabiana Orloski

Durante muito tempo, a sociedade silenciou diante da violência doméstica. Frases como “isso é problema de casal” ou “não se mete na vida dos outros” alimentaram um ciclo cruel, onde a dor da mulher era escondida entre quatro paredes.

Mas os tempos mudaram. Hoje, é necessário afirmar com todas as letras: em briga de marido e mulher, mete-se a colher, sim. Violência contra a mulher não é um assunto privado. É crime. É violação de direitos. E deve ser combatida com informação, coragem e amparo jurídico.

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) ampliou o entendimento sobre o que é violência. Não se trata apenas de agressão física. Existem cinco principais formas de violência contra a mulher, todas igualmente graves:

Violência física – Agressões como empurrões, tapas, socos, queimaduras e qualquer ato que cause dor ou lesão corporal.

Violência psicológica – Condutas que causam dano emocional, como ameaças, humilhações, isolamento, chantagens, controle de comportamentos e manipulação.

Violência moral – Atinge a honra da mulher por meio de calúnia, difamação ou injúria.

Violência sexual – Qualquer ação que force a mulher a manter relações sexuais contra sua vontade, impeça o uso de métodos contraceptivos ou desrespeite sua liberdade sexual.

Violência patrimonial – Apropriação, destruição ou retenção de bens, documentos, dinheiro, cartões e qualquer recurso da vítima.

Todas essas formas de violência são reconhecidas legalmente e exigem resposta imediata e efetiva do sistema de justiça.

Denunciar é romper o ciclo da violência e acionar os mecanismos legais de proteção. A denúncia possibilita que a vítima tenha acesso a medidas protetivas, acolhimento, proteção e suporte legal. O silêncio, muitas vezes imposto pelo medo ou pela dependência, apenas perpetua o sofrimento. A denúncia é um ato de força e de autopreservação.

O silêncio nunca protege. Naturalizar a violência é perpetuar o ciclo. Toda mulher tem direito à vida, à dignidade, à liberdade e à integridade. Nenhuma forma de agressão deve ser tolerada.

Em briga de marido e mulher, mete-se a colher, sim. Porque a vida da mulher vale mais do que qualquer convenção social.