Por Tayla Pereira
A sensualidade feminina historicamente foi controlada, reprimida ou explorada sob o olhar masculino. Muitas mulheres aprenderam que expressar sensualidade era perigoso ou vergonhoso. Isso gera conflitos internos profundos: desejo versus culpa.
No contexto do sagrado feminino, sensualidade não é performance para o outro — é conexão com vitalidade. É energia criativa. E no pole, especialmente em estilos mais expressivos, a mulher pode explorar movimentos de quadril, contato visual e fluidez sem que isso esteja ligado à validação externa. O foco é interno.
Quando a sensualidade é vivida com consciência, ela deixa de ser objeto e se torna potência. Essa ressignificação pode auxiliar mulheres que carregam traumas relacionados à sexualização precoce ou repressão moral rígida. Curar a relação com a sensualidade é também curar a relação com o prazer de existir.
Entretanto, quando isso acontece voltado para algo interno, o sagrado feminino se desenvolve fluentemente. Mas ao contrário, se esse desenvolvimento corporal e sensual se dá externamente, na validação do outro, na sensualização como potência para conquista e dominação, vulgaridade, evidenciando a sexualização conforme paradigmas sociais, denota que o sagrado feminino permanece ferido. E isso estará ligado diretamente aos traumas psicológicos vividos, pois são estes os fatores emocionais que determinam, de forma inconsciente, nossos comportamentos (como forma de proteção). Agimos de maneira que possamos nos proteger daquilo que nos dói.
Quanto mais leve estamos, menos rigidez moral, menos ego, menos preocupação externa, mais liberdade interna para escolhas mais conscientes.
O pole dance é uma ferramenta que fortalece dentro e fora, mas possui uma linha muito tênue no quesito do sagrado feminino, principalmente pelas questões socioculturais existentes.
Referências:
LOWEN, A. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000. VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
