Por Lizamar Machado Rodriguez
Segundo a visão sistêmica, as doenças mentais, psiquiátricas, as doenças imunológicas, e degenerativas, como o câncer, e tantas outras que nos trazem feridas, traumas somatizados em nosso corpo físico, chegam até nós, para revelar ou denunciar algo que não foi visto, esquecido, não revelado, excluído, a respeito do sistema familiar da pessoa doente e que está trazendo à tona algo não olhado.
Acontecimentos passados relacionados a membros da família excluídos ou não reconhecidos por outros e que possam ter sofrido destinos trágicos, inconscientemente podem influenciar as gerações futuras, que captam a desordem familiar, onde emaranhou, repetindo-os, pois estão tão identificados com as exclusões do passado e com os antepassados, que acabam buscando o mesmo destino deles, assumindo assim o lugar daquelas pessoas.
É uma forma de compensação, de reparar injustiças, sofrendo o que outros sofreram, mesmo que seja uma ação inconsciente, ou infantil, sem julgamentos, e sim, ressignificar os acontecimentos e unir os laços familiares, fazendo com que isso proporcione o restabelecimento do fluxo do amor no sistema familiar. E quando flui o amor, a doença perde seu sentido.
É importante reconhecer o lugar de cada um na nossa família, agregando momentos importantes e decisivos também, assim como a transmissão da vida, que é o mais importante na visão das constelações.
Devemos sempre lembrar, que, independentemente de qualquer sintoma físico, apenas abrindo o campo da pessoa é que poderemos ter a real resposta. Lembrando sempre que, pode ser que tenha mais de um emaranhado que leva o indivíduo a doenças, portanto, pode ser necessária mais de uma constelação para a liberação completa.
Muitas vezes, o pano de fundo de nossos sintomas e doenças, é o nosso inconsciente, faz-se necessário que olhemos para isso, para obtermos resultados benéficos no tratamento.
Não temos autonomia para vivenciarmos uma liberdade em relação aos movimentos da vida, ficamos presos e à mercê desses movimentos inconscientes, seja pela lealdade familiar, quanto ao amor cego ao nosso pertencimento sistêmico e ao todo familiar, que causam dificuldades em nossas vidas.
Recebemos influências traumáticas do passado a ainda reverberar em nossas vidas, desse sistema familiar, quer queiramos ou não, pois somos integrantes vivos desse sistema.
E essas influências precisam ser vistas e vivenciadas para a solução desses conflitos transgeracionais, através da inclusão e respeito, pelo o que foi, e como foi integrando a essa família, através da aceitação de nosso cliente para olhar e honrar isso, em seu sistema familiar, sem mais influenciar inconscientemente os descendentes.
Influência transgeracional: Esses acontecimentos de gerações anteriores são chamados de influência transgeracional, principalmente aliados a gerações em que houve desafios maiores, podendo influenciar as gerações que vierem depois. Isso significa que tendemos repetir situações em nossas vidas repetidas de nossos ancestrais, mesmo sem conhecer o ancestral ou o conhecimento ocorrido.
A obesidade, sintoma mundial, tanto manifestado por homens quanto por mulheres, deixa muitas pessoas a saírem de seus eixos, tirando a autoestima e amor próprio delas. É mais manifestada por mulheres, mas independentemente de quem seja, mostra-nos algo que não está bem dentro da alma da pessoa, ou em seu sistema familiar.
Lembrando que alimento é relacionado à mãe: Mãe é o nosso primeiro vínculo e está relacionada à nossa mãe, mas nas constelações podem ser vistas outras lealdades ao nosso sistema que podem estar prejudicando, muitas vezes colocando pesos demais à pessoa que tem essa disfunção, em que está carregando por alguém, e se cristaliza em seu corpo físico, engordando para dar conta, como: Buda “carrega os pesos do mundo”, com seu tamanho. Conta também um movimento interrompido, a mãe ter raiva do marido e o filho (a) obeso (a) desconta essa raiva no alimento através, que nos dá a nutrição, nos deu seu líquido sagrado que nos nutriu, nos deu seu amor através dele e qualquer relação a isso, tanto a falta como um excesso de nutrição, podem ser a raiz da questão. E olhar para onde tudo começou é que trará a solução para essa situação.
Muitas vezes está relacionada à nossa mãe, mas nas constelações podem ser vistas outras lealdades ao nosso sistema que podem estar prejudicando, muitas vezes colocando pesos demais à pessoa que tem essa disfunção, em que está carregando por alguém, e se cristaliza em seu corpo físico, engordando para dar conta, como: Buda “carrega os pesos do mundo”, com seu tamanho. Conta também um movimento interrompido, a mãe ter raiva do marido e o filho (a) obeso (a) desconta essa raiva no alimento através da raiva não expressa da mãe, ou até mesmo do pai, vice versa, e assim o filho (a) pode “comer” literalmente a mãe, de raiva. Um trauma no aleitamento materno (tirar o peito antes da hora que a criança precisa, por exemplo, ou nem ter recebido por várias questões) pode trazer também essa necessidade de compensar o que não recebeu da mãe, através do comer e mesmo após comer ainda não preenche, pois na realidade é o preenchimento do amor da mãe que o neném necessita.
Casos de obesidade podem ter também relação com excesso de função, uma necessidade de incluir alguém, uma desordem hierárquica, ou uma necessidade de ser protegido, com a camada de gordura ao redor de seu corpo, por ter sido muito humilhado, desqualificado e não conseguiu se expressar, engoliu e se materializou a gordura como capa de proteção para não se machucar mais. Mas também pode ser fatores transgeracionais, traumas pessoais, ou emaranhados sistêmicos.
Há ainda dificuldades na amamentação, irmãos que não são contados na família, seja por abortos espontâneos ou provocados ou não reconhecidos, gêmeo sobrevivente, que come pelo irmão que não pôde nascer, abuso sexual, funções assumidas no lugar dos pais que estão em desordem, vazios emocionais, problemas de controle; e tantos outros podem aparecer. Enfim, os problemas com a mãe, estão entre as primeiras causas de muitos sintomas, inclusive a obesidade.
Portanto, o mais importante é vermos o que leva à compulsão alimentar, a raiz de tudo e colocar no campo das constelações para olhar para isso, e ressignificar uma nova história.
Na compulsão ou na obesidade nossa primeira nutrição vem também através de nossa mãe, desde o ventre materno, e depois através do leite materno, onde a mãe nutre e acolhe seu neném trazendo segurança com seu olhar na hora de amamentar, nutrindo-o.
Nossa alma tem fome de nossa mãe, e cria um vazio para preencher os vazios da alma. Quando comemos o que a mãe manda, sem prazer, sem dizer não, pois ainda como crianças não sabemos dizer não, isso pode extrapolar, passar dos limites da criança e saciá-la e ocasionar sérios problemas, como, bulimia, anorexia, cirurgia bariátrica mal sucedida…
A obesidade, presente em homens e mulheres, revela muito mais do que um desafio físico: expressa um desequilíbrio profundo na alma e no sistema familiar. Nas Constelações, compreendemos que o alimento está simbolicamente ligado à mãe, nossa primeira fonte de nutrição e vínculo.
Quando há lealdades ocultas, traumas ou exclusões no sistema, o corpo pode carregar pesos que não lhe pertencem, cristalizando dores antigas em forma de gordura, como uma tentativa de sustentar algo que veio antes. Em muitos casos, a obesidade surge como resposta a um movimento interrompido com a mãe, a raiva não expressa no vínculo parental, ou ainda como compensação por uma falta de nutrição emocional, seja pelo desmame precoce, pela ausência materna ou por dificuldades no aleitamento. A alma, faminta de vínculo, tenta preencher vazios afetivos através da comida, que simbolicamente representa o amor materno. Também é comum que a obesidade se manifeste quando há excesso de função: filhos que assumem papéis que não lhes cabem, desordens hierárquicas, necessidade de incluir alguém excluído, proteção contra traumas e humilhações vividas ou como criação de uma “capa” para suportar dores invisíveis.
Nos entrelaçamentos sistêmicos, surgem ainda histórias de gêmeo sobrevivente, abortos não reconhecidos, abusos, culpas herdadas, traumas transgeracionais e destinos interrompidos. Cada um desses elementos pode repercutir no corpo como compulsão, excesso de peso ou dificuldade de se sentir nutrido emocionalmente.
A primeira nutrição vem da mãe: seu olhar, seu toque, seu leite. Quando isso falha ou se desorganiza, o corpo busca, mais tarde, compensar a falta afetiva, mas mesmo assim a comida não sacia, pois a fome é da alma. Por isso, compreender a obesidade na visão sistêmica é olhar para onde tudo começou, acolher o passado e abrir espaço para uma nova história. No campo das constelações, quando se honra a mãe, o sistema e suas dores, a compulsão pode se transformar, devolvendo ao corpo o equilíbrio que faltava.
Referências:
Hellinger, Bert – “Constelações Familiares: Aportes da Abordagem Fenomenológica.”
Cohen, Dan – “O Corpo Como Expressão do Sistema.”
Satir, Virginia – “Terapia Familiar.”
