Por Mayana Salles
Muitas pessoas se orgulham de serem fortes, organizadas, responsáveis demais. Dão conta de tudo, seguram emoções, antecipam problemas, mantêm o controle. Por fora, parecem firmes. Por dentro, quase sempre estão cansadas.
Nem todo autocontrole nasce da maturidade. Às vezes, ele nasce de um tempo em que sentir não era seguro. Quando o apoio falhou, demonstrar fragilidade não era uma opção. Controlar foi a forma encontrada para não desmoronar. Mais tarde, esse controle pode se tornar pesado. Relaxar gera culpa. Depender assusta. Sentir parece ameaçar toda a estrutura interna. O que um dia protegeu começa a limitar.
Curar não significa perder o controle de uma vez. Significa construir bases internas mais seguras, onde não seja preciso se manter rígido o tempo todo. Significa reconhecer que hoje existem recursos, escolhas e apoio que antes não existiam. Aos poucos, quando o corpo percebe que não precisa mais sustentar tudo sozinho, o controle pode dar lugar à confiança. E o eu, finalmente, pode descansar.
