Por Cintia Baek
A síndrome de burnout é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como “resultante de um estresse crônico associado ao local de trabalho que não foi adequadamente administrado”. Ou seja, uma síndrome ocupacional que pode acarretar em exaustão, esgotamento de energia, aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho e redução da eficácia profissional.
Devido a natureza exigente da profissão que envolve longas horas de trabalho, necessidade de precisão e contato constante com pacientes, os dentistas são particularmente vulneráveis ao esgotamento. Estão frequentemente expostos a estressores ocupacionais, incluindo interações emocionalmente tensas com pacientes que apresentam dor, ansiedade e medo. O burnout é silencioso e os profissionais demoram muito tempo para reconhecer o problema, pois não identificam ao seu redor esses fatores como sendo um risco para sua saúde e o estilo de vida não saudável pode contribuir negativamente para o aparecimento da síndrome.
A covid-19 trouxe uma variedade de incertezas. O aumento das demandas da equipe clínica na atenção primária causou um impacto profundo na vida profissional dos cirurgiões dentistas, suas interações com pacientes e com colegas. E dentre os fatores que os levam ao burnout são o ambiente de trabalho estressante, risco de erro médico, carga de trabalho, demanda dos pacientes, tarefas repetitivas, longas horas de trabalho, metas inatingíveis, insatisfação no trabalho, responsabilidade com os tratamentos, trabalhar com assistentes odontológicos pouco qualificados, postura física inadequada, ambiente de trabalho desconfortável, pressões econômicas e, para os dentistas que também são docentes, uma dupla fonte de estresse.
Os principais sintomas são exaustão emocional, sensação de esgotamento, sem energia física ou mental; despersonalização, sentindo-se distante e indiferente às responsabilidades e às pessoas no trabalho; sentimento de ineficácia, de falta de propósito e de realização pessoal; sintomas físicos como insônia, alterações de apetite, dores de cabeça e problemas gastrointestinais; e sintomas psicoemocionais como problemas de concentração, irritabilidade, ansiedade e choro sem motivo.
Tais sintomas podem aparecer sozinhos ou em conjunto, por meio de dores físicas, mudanças comportamentais e aspectos psicológicos. As manifestações são identificadas através de um adoecimento fisiológico (enxaqueca, gastrite, tensão muscular, etc) ou até mesmo a partir de alterações no funcionamento do organismo (imunidade baixa, insônia), culminando em cansaço, irritabilidade com episódios de tristeza, necessidade de isolamento, perda de interesse no trabalho e desenvolvimento de compulsão alimentar ou excesso no consumo de álcool.
Assim, para prevenir o aparecimento do burnout, o dentista deve saber gerenciar o seu tempo, estabelecer limites, cuidar da saúde mental, definir metas realistas, e em casos confirmados, receber tratamento profissional adequado além do acompanhamento médico.
REFERÊNCIAS:
CEMOI. Estratégias de prevenção de burnout para o cirurgião-dentista. Disponível em: https://www.cemoi.com.br/estrategias-de-prevencao-de-burnout-para-o-cirurgiao-dentista/. Acesso em: 27 jan. 2026.
DOS SANTOS, Rafaela Alexandra Scherer; MARQUES, Márcia Regina Lessa; GOMES, Leonardo de Oliveira. Burnout em cirurgiões-dentistas: revisão integrativa. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 6, p. 227–236, 2021.
FEITOSA, Débora B.; et al. Síndrome de burnout em cirurgiões-dentistas: uma revisão integrativa. Revista FT, 2024.
SANAR Saúde. Odontologia e burnout: conhecer para prevenir. Disponível em: https://blog.sanarsaude.com/portal/carreiras/artigos-noticias/colunista-odontologia-burnout-e-odontologia-conhecer-para-prevenir?srsltid=AfmBOopgBpjivUuYibE08slwxF-kDXk230rnH1XMRPk1uPfuCnBvLUJz. Acesso em: 27 jan. 2026.
