Por Tayla Pereira
A sociedade valoriza a produtividade linear: constância, rendimento e desempenho contínuo. O feminino, biologicamente e simbolicamente, é cíclico. Oscila entre expansão e recolhimento, focando nas emoções.
Ignorar essa ciclicidade feminina pode gerar culpa e autoexigência excessiva — fatores que impactam diretamente a saúde mental.
No pole dance, especialmente em práticas mais conscientes como o flow, é possível perceber essas variações. Há dias de força explosiva. Há dias de suavidade. Ambos são válidos.Assim como são as mulheres, cíclicas, cuja variação tem influência direta do ciclo menstrual, em que as alterações hormonais alternam estado emocional e força física, também tornando muito mais vulnerável à gatilhos traumáticos.
Respeitar o corpo no dia em que ele pede pausa é um ato de maturidade e equilíbrio emocional. Honrar potência quando ela surge também!
O sagrado feminino ensina que não somos lineares. O pole pode se tornar espaço seguro para experimentar essa alternância, num ambiente sem julgamento internamente, cujo local repleto por sororidade. Reconhecer ciclos reduz ansiedade e fortalece autocompaixão — elemento essencial no processo da cura de traumas.
Referências:
LOWEN, A. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
JUNG, C. G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000. VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
