Por Tayla Pereira
No pole spin e na lira acrobática (é um aparelho circense suspenso, composto por um arco de metal (aço) onde acrobatas realizam movimentos artísticos, giros e poses desafiadoras, muitas vezes aéreos. Trabalha força, flexibilidade e equilíbrio, podendo ser utilizada por uma ou mais pessoas, sendo uma prática popular em circos, estúdios de pilates e de pole dance), o corpo gira, suspende e, por alguns instantes, parece desafiar a lógica da estabilidade. O eixo deixa de ser fixo. A referência muda. O controle absoluto se torna impossível e a mente precisa estar em equilíbrio pra favorecer que ele ocorra.
Confiar no giro exige mais do que técnica. Exige entrega! O mental vem muito antes o físico. Superar os medos influi no acerto do movimento.
Em termos psicológicos, o controle excessivo costuma ser um mecanismo de defesa. Pessoas que viveram experiências de instabilidade ou abandono frequentemente desenvolvem hipercontrole como forma de autoproteção. Manter tudo sob vigilância cria sensação de segurança — ainda que ilusória.
Segundo Van der Kolk (2014), o trauma não é apenas uma memória narrativa, mas uma experiência corporal registrada no sistema nervoso. O corpo reage antes da razão. Nesse sentido, experiências corporais corretivas — como sustentar um giro ou permanecer suspensa com consciência — podem auxiliar na reconstrução da sensação de segurança interna e favorecer curas mais profundas do que “um simples” movimento do exercício pode transparecer.
No pole spin, o giro contínuo exige estabilidade interna em meio ao movimento. A segurança não está na ausência de instabilidade, mas na construção de eixo próprio. Essa vivência corporal reorganiza a percepção de competência.
Na lira, a suspensão amplia a experiência de vulnerabilidade. Estar no ar ativa confiança na técnica, na força construída e na própria presença. A entrega deixa de ser ameaça e passa a ser escolha consciente.
No giro, aprende-se que é possível mover-se sem perder-se.
Referências:
LOWEN, A. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
PERRY, B.; WINFREY, O. O que aconteceu com você? Rio de Janeiro: HarperCollins, 2021.
