Por Lisane Gloria
Sentir-se constantemente cobrado no trabalho é uma experiência comum, mas pode se tornar fonte de grande estresse e desgaste emocional. Essa sensação de pressão contínua ativa o sistema nervoso, aumentando os níveis de cortisol e adrenalina, hormônios relacionados ao estresse. O corpo entra em estado de alerta permanente, e tarefas simples podem parecer ameaçadoras. Isso gera ansiedade, irritabilidade e sensação de inadequação, afetando não apenas o desempenho profissional, mas também os relacionamentos com colegas e superiores.
O problema se intensifica quando a cobrança não é apenas externa, mas também interna. Pessoas que sofreram traumas anteriores, críticas frequentes na infância ou ambientes familiares instáveis tendem a internalizar expectativas de perfeição, amplificando o impacto de cobranças no trabalho. A memória traumática condiciona o cérebro a interpretar situações neutras como ameaças, provocando reações automáticas de medo, evasão ou excesso de esforço.
A neuroterapia oferece ferramentas para lidar com esses desafios. Técnicas de regulação do sistema nervoso, como estimulação sensorial, sons binaurais e uso de aparelhos como o PRI, podem ajudar a reduzir a hiperatividade da amígdala, responsável pelas respostas de alerta. Com isso, a pessoa consegue reagir de forma mais equilibrada diante da cobrança, mantendo foco, clareza mental e melhor interação com colegas.
Além disso, a abordagem terapêutica voltada a traumas ajuda a identificar padrões emocionais repetitivos, compreender a origem da sensação de inadequação e reconstruir a autoconfiança. Práticas de respiração, exercícios de relaxamento e estratégias de mindfulness podem ser incorporadas à rotina profissional, promovendo resiliência emocional e capacidade de lidar com críticas sem sobrecarga do sistema nervoso.
Investir no equilíbrio emocional não é apenas cuidar de si mesmo, mas também melhorar relacionamentos no trabalho e a produtividade. Ao aprender a reconhecer quando a ansiedade e a sensação de cobrança são fruto de memórias passadas, e não da realidade atual, é possível criar um ambiente interno seguro, fortalecer vínculos profissionais e enfrentar desafios com mais segurança e assertividade.
Referências:
- Siegel, D. J. (2013). O cérebro da criança. Porto Alegre: Artmed.
- Porges, S. W. (2017). The Pocket Guide to the Polyvagal Theory. New York: W.W. Norton & Company.
- Ribeiro, G. (2010). Neuroterapia: abordagens integradas para reabilitação emocional. São Paulo: Summus Editorial.
- van der Kolk, B. (2015). O corpo guarda as marcas do trauma. Rio de Janeiro: Objetiva.
