Por Erika Zanoni Fagundes Cunha
A agressividade é um sintoma, não é um diagnóstico e muito menos uma condenação do animal, e em muitos casos pode ser transitória. Existem diversas questões médicas que podem desencadear um comportamento agressivo ou reativo, como doenças hormonais, dores crônicas, processos infecciosos e inflamatórios. Um animal com dor ou desconforto frequentemente apresenta um comportamento deslocado do seu padrão habitual.
Além disso, há situações em que o animal se torna mais reativo por falta de socialização, ausência de orientação básica e de manejo adequado. E existe ainda um terceiro fator, bastante comum, que é o estresse crônico, muitas vezes provocado por interações inadequadas com crianças que não receberam educação animalista, ou seja, não aprenderam a respeitar limites, sinais e necessidades do animal.
Para todos esses cenários, existem possibilidades de tratamento e intervenção: pode ser um acompanhamento medicamentoso, ajustes de manejo ambiental, orientação da família, educação das crianças ou uma combinação dessas estratégias. Tudo isso pode ser reformulado, ajustado e transformado.
Na minha prática, cerca de 50% dos pacientes apresentam algum grau de reatividade ou agressividade. Isso não é exceção, é rotina clínica. E eu observo isso há mais de 20 anos de atuação.
Por isso, antes de se desfazer de um animal, a orientação é sempre a mesma: procurem um profissional capacitado em comportamento e saúde mental animal. É claro que existem casos refratários e situações realmente perigosas que exigem decisões responsáveis e criteriosas, mas não são a maioria.
A informação correta salva vínculos, evita abandonos e, principalmente, evita sofrimento desnecessário, tanto para os animais quanto para as famílias.
