Por Erika Zanoni
Diante de casos recentes de violência contra animais, torna-se fundamental estabelecer distinções conceituais claras, especialmente entre crueldade, ausência de caráter e sofrimento psíquico. Observa-se, com frequência, a tentativa de atribuir a comportamentos violentos uma explicação psiquiátrica, o que pode levar a interpretações equivocadas. Maldade não constitui diagnóstico clínico. Maldade é expressão de conduta e, quando direcionada à violência, configura crime.
O transtorno mental está relacionado ao sofrimento psíquico, à perda de funcionalidade e à necessidade de cuidado, acompanhamento e tratamento. Já a violência deliberada contra seres vulneráveis caracteriza um comportamento consciente, que não deve ser automaticamente enquadrado como doença. A confusão entre esses conceitos pode banalizar a psiquiatria e, simultaneamente, relativizar a gravidade dos atos praticados.
A literatura científica já descreve associações relevantes nesse contexto. A tríade de Macdonald relaciona maus-tratos a animais, fascínio por fogo e enurese noturna como possíveis indicadores de risco comportamental. De forma complementar, a Teoria do Link demonstra que a violência pode iniciar contra animais e evoluir para agressões direcionadas a pessoas, evidenciando um padrão de escalonamento.
A tentativa de justificar atos de crueldade exclusivamente sob a ótica psiquiátrica pode resultar na redução da responsabilização individual, além de obscurecer fatores relacionados à educação, valores e desenvolvimento moral. É essencial reconhecer que determinadas condutas decorrem de ausência de empatia e de formação ética inadequada, e não necessariamente de doença mental.
Doença mental deve ser tratada com empatia, base científica e cuidado especializado. O crime, por sua vez, deve ser reconhecido e tratado como tal, dentro das esferas legais e sociais cabíveis.
Nesse contexto, a educação animalista se apresenta como ferramenta fundamental de prevenção. A promoção do respeito aos animais contribui para o desenvolvimento da empatia, da responsabilidade e da consciência ética. Trata-se de uma estratégia efetiva na prevenção da violência e na construção de uma sociedade mais equilibrada.
Educação animalista é prevenção de violência. É prevenção de crime. É construção de empatia. Uma sociedade que não valoriza a vida e não desenvolve vínculo com os seres vulneráveis compromete sua própria saúde social.
