Por Mayana Salles
Às vezes, a vida parece organizada. Trabalho, relações e rotina seguem funcionando. Ainda assim, há um vazio difícil de explicar. Não é tristeza clara, nem insatisfação objetiva. É uma sensação de desconexão, como se algo essencial estivesse faltando.
Esse vazio costuma surgir quando, ao longo da vida, foi preciso se adaptar demais. Atender expectativas, corresponder, funcionar. Pouco espaço foi dado ao sentir genuíno, ao desejo próprio, à espontaneidade. Por fora, tudo seguiu. Por dentro, partes importantes ficaram silenciadas.
O vazio não é ingratidão pela vida, nem falta de reconhecimento do que se tem. Ele é sinal de algo que não pôde ser vivido. Muitas pessoas tentam preencher esse vazio com mais tarefas, relações ou metas. Mas ele não se preenche — se escuta.
Curar é permitir que esse espaço revele o que ficou interrompido. Quando há escuta e presença, o vazio deixa de ser ausência e se transforma em convite para um encontro mais verdadeiro consigo.
