Por Mayana Salles
Talvez você sinta que nunca consegue relaxar por completo. Mesmo nos momentos de descanso, algo por dentro permanece atento, esperando que alguma coisa aconteça. O corpo não desacelera, a mente antecipa cenários, e a sensação é de que baixar a guarda não é uma opção. Viver assim é cansativo — e, para muitas pessoas, parece normal, porque sempre foi desse jeito.
Essa vigilância constante não nasce do nada. Ela costuma se formar quando, em algum momento da vida, o ambiente não foi previsível ou seguro. O corpo aprendeu que precisava estar atento para evitar a dor. Antes mesmo de virar pensamento, essa experiência ficou registrada no corpo. Por isso, o alerta continua, mesmo quando o perigo já não está mais ali. Viver em alerta não é exagero nem drama. É adaptação. Uma forma de sobreviver quando confiar não parecia possível. O problema surge quando esse modo de funcionamento se torna permanente e começa a roubar a vitalidade, a presença e a capacidade de estar no agora.
Curar não é simplesmente “relaxar” ou pensar positivo. É permitir que o corpo experimente, pouco a pouco, a sensação de que o presente pode ser mais seguro. Isso acontece através de relações que respeitam limites, acolhem emoções e não exigem desempenho constante.
Quando a vida deixa de ser sentida apenas como ameaça, o alerta pode diminuir. E, nesse espaço, algo precioso surge: a possibilidade de respirar, confiar e existir com menos medo.
