Por Daniele Rodrigues e Lelington Havreluk
É muito comum que mulheres busquem ajuda de pessoas da família ou tenham bastante desconfiança em buscar um serviço em oficina automotiva de pessoas desconhecidas. Isso acontece porque é um segmento pouco explorado e de domínio do conhecimento feminino, o que a torna mais vulnerável às situações problema.
Antigamente, esses estabelecimentos eram ambientes masculinos, fortalecendo ainda mais essa presença. Enquanto desde a infância as mulheres são criadas brincando de boneca e de casinha, com foco doméstico, de cuidar da casa e filhos, os homens são estimulados com carrinho e bola, estimulados para sustento da família, trabalho, carro, dar segurança e estabilidade. Ao longo da história social, esses fatores se fortaleceram no sistema de crenças pessoais e naturalmente introjetados psiquicamente.
Em geral, os homens são estimulados a assuntos ligados à área automotiva, diferentemente das mulheres, o que também influencia no entender sobre esse assunto na fase adulta. E, embora muito já não seja mais como antes, alguns preceitos ainda são bastante fortes e enraizados. Atualmente, mulheres são mais independentes e possuem seus próprios carros, e algumas até atuam na área e conhecem mais sobre o assunto, facilitando o diálogo técnico com os profissionais da área, mas isso ainda é uma minoria.
A maioria se sente à mercê do que lhe dizem, uma vez que não conseguem identificar os problemas e a veracidade do que lhe explicam. Por isso, tornam-se vulneráveis a serem enganadas pelos profissionais, são presas fáceis de cair em golpes e pagarem preços absurdos por serviços simples que seriam cobrados baratos aos clientes homens. Infelizmente, isso ainda é uma realidade nos dias atuais, principalmente em oficinas automotivas, borracharias, serviços de lataria e pintura, sobretudo naquelas que se encontram na beira da estrada.
Essa disparidade de tratamento entre os diferentes gêneros acarreta na formação de trauma psicológico, pois a insegurança reina, o medo de ser enganada faz com que fortaleça o sentimento de desamparo no público feminino. Em contrapartida, exige uma conduta mais ética dos profissionais sérios e comprometidos com a qualidade do seu serviço prestado. Requer paciência e sabedoria para lidar com as mulheres que apresentam os sintomas típicos de ansiedade de antecipação, fruto do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) que esse ambiente já gerou no passado. Insegurança, constantes questionamentos, familiares homens vindo também esclarecer dúvidas, envio para vários profissionais diferentes pra fazer avaliação para haver comparações de preços e opiniões antes de concordar com o orçamento, dentre tantas outras situações. Isso se torna um estresse para todos, incluindo o profissional, pois muitas vezes se incomoda por estar diretamente ligado a sua própria conduta moral e idoneidade. Mas infelizmente, os bons pagam pelos problemas gerados pelos ruins, seja de caráter como de qualidade de atendimento. Administrar tais situações é o segredo da conquista do cliente e da sua marca no negócio.
