As ervas ansiolíticas mais conhecidas e sua contribuição no tratamento psicológico

Por Gabrielle E. R. Gomes

Nos últimos anos, além das terapias tradicionais e do uso de medicamentos prescritos, tem sido cada vez mais frequente a busca por tratamentos alternativos e complementares para o enfrentamento da ansiedade e dos sintomas decorrentes de traumas. Dentre essas alternativas, as ervas ansiolíticas têm sido amplamente exploradas devido às suas propriedades calmantes e relaxantes, e este artigo detalha as principais plantas que podem contribuir com o seu processo radioterapêutico, abordando suas propriedades, mecanismos de ação, eficácia e potenciais riscos.

Primeiramente, essas ervas nada mais são que plantas medicinais com propriedades capazes de reduzir o estresse e a ansiedade. Atuam de diversas maneiras no sistema nervoso central, muitas vezes modulando neurotransmissores como o GABA (ácido gama-aminobutírico), a serotonina e a dopamina, intimamente relacionadas ao humor, à sensação de bem-estar e ao controle da ansiedade. Muitas delas são utilizadas há séculos em práticas medicinais tradicionais como a ayurveda, a medicina tradicional chinesa (MTC) e diversas culturas indígenas ao redor do mundo. Porém, nos últimos anos, com o avanço da medicina integrativa e dos estudos sobre fitoterapia, as plantas ganharam uma maior visibilidade na medicina ocidental e vêm sendo fortemente difundidas através das redes sociais.

As mais utilizadas são a camomila, passiflora, valeriana, erva-cidreira e a lavanda, mas existem muitas outras e certamente você as conhece e já se beneficiou mesmo sem ter plena consciência disso. Estas, em especial, possuem compostos que elevam os níveis GABA e reduzem a hiperatividade neuronal associada à ansiedade e irritabilidade, comuns principalmente no início dos processos psicoterapêuticos.

A camomila (Matricaria recutita) é uma das ervas mais conhecidas por suas propriedades calmantes, utilizadas frequentemente na forma de chá. Contém apigenina, um composto que proporciona efeito relaxante e ansiolítico leve que permite a ingestão por crianças e gestantes.

A passiflora (Passiflora incarnata), conhecida como flor-do-maracujá, também é amplamente utilizada como um remédio natural para a ansiedade, mas o que muitos desconhecem é sua eficácia em reduzir os sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), especialmente aqueles relacionados à hipervigilância, insônia e nervosismo constante, sendo considerada uma alternativa com menos riscos de efeitos colaterais aos ansiolíticos farmacêuticos mais potentes.

A valeriana (Valeriana officinalis) é uma das ervas mais estudadas no tratamento da insônia e da ansiedade, pois suas raízes contêm propriedades frequentemente utilizadas no tratamento de distúrbios do sono. Pessoas que experimentam insônia grave e ansiedade crônica como resultado de traumas podem se beneficiar da valeriana, que auxilia na regulação dos ciclos de sono e redução da ansiedade persistente.

Semelhante à lavanda, a erva-cidreira ou melissa (Melissa officinalis) é utilizada no tratamento de estresse, distúrbios do sono e nos sintomas físicos e mentais de ansiedade, como inquietação e dificuldade em relaxar. O diferencial da lavanda (Lavandula angustifolia) é sua capacidade de atenuar sintomas de depressão e ampla utilização na aromaterapia com óleos essenciais, difusores, em massagens ou aplicado topicamente.

Embora as ervas medicinais ofereçam alívio aos sintomas apresentados, é importante compreender que sua eficácia é variável para cada pessoa. Diferentes fatores, como sua resposta biológica, a gravidade dos traumas e a combinação com outros tratamentos, podem interferir nos resultados. Estudos científicos sobre ervas ansiolíticas frequentemente apontam eficácia no tratamento de sintomas leves a moderados de ansiedade. A principal vantagem é sua baixa toxicidade e baixo risco de efeitos colaterais graves, o que as torna uma opção atraente para quem opta em evitar ou reduzir o uso de medicamentos farmacêuticos. Em casos de traumas severos, podem ser complementares aos tratamentos convencionais. Apesar disso, seu uso deve ser sempre supervisionado por um profissional de saúde, especialmente quando há o uso concomitante de outros medicamentos.

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