Administração medicamentosa no tratamento odontológico em pacientes ansiosos

Por Cintia Baek

Muitas pessoas associam a odontologia a uma experiência negativa, alegando sensação de vulnerabilidade e dor. O som agudo dos equipamentos utilizados durante o atendimento, o odor característico do consultório ou a posição reclinada na cadeira podem trazer memórias traumáticas e atuar como gatilhos emocionais, causando apreensão, tensão e nervosismo. Essa ansiedade e medo em relação ao tratamento são fatores que corroboram com o agravamento dos problemas de saúde bucal dos pacientes. Tais condições reduzem a procura para tratamentos preventivos e de rotina, acarretando danos à saúde bucal e ida ao dentista somente quando surge a dor, muitas vezes necessitando de procedimentos mais traumáticos e agravando o quadro de ansiedade e nervosismo diante da conduta do profissional.  

Uma forma de atuar no manejo do comportamento desses pacientes é o uso de medicamentos benzodiazepínicos para minimizar o desconforto do tratamento odontológico, funcionando como agentes para sedação consciente para redução de ansiedade quando submetidos a procedimentos. Para tanto, é necessária uma avaliação criteriosa para o uso destes medicamentos, assim como orientações médicas de uso. Alguns exemplos são a ansiólise, por promover redução da ansiedade antes e durante o procedimento; sedação consciente, para um estado de relaxamento em que o paciente permanece responsivo a comandos verbais, mantendo a respiração independente; relaxamento muscular, útil para procedimentos que requerem a redução do tônus muscular; e amnésia anterógrada, no qual o paciente pode não se lembrar de partes do procedimento, benéfico a fim de evitar traumas futuros.

Já exemplos de benzodiazepínicos mais usados na odontologia incluem o diazepam para ansiedade, convulsão e espasmos musculares, possuindo ação longa e tontura como reação adversa; midazolam para sedação durante procedimentos com ação curta e reação adversa de xerostomia e ataxia; alprazolam, frequentemente usado para transtorno de pânico e ansiedade, com ação intermediária e reação adversa de confusão mental; lorazepam, para ansiedade e em casos de abstinência alcoólica (por não ser metabolizado pelo fígado), que possui ação curta e pode causar náusea; e triazolam, também de ação curta, podendo causar prejuízo na motricidade.

É preciso reforçar que o uso principal desses medicamentos é para sedação consciente, com efeito ansiolítico e relaxamento muscular, permitindo que o paciente permaneça calmo e cooperativo durante o tratamento. Sua prescrição é feita em notificação de receita do tipo B (azul), da qual fica retida na farmácia devido ao seu potencial de controle especial. Deve ser ministrado uma dose na noite anterior para garantir uma boa noite de sono e outra dose na manhã ou uma hora antes do procedimento. Também é importante salientar que a dose deve ser a menor eficaz, especialmente em idosos, e o CD deve ter conhecimento prévio das medicações e do histórico do paciente para evitar interações medicamentosas e reações adversas.

REFERÊNCIAS:

BORGES, M. M.; SANTOS, A. G. M.; QUEIROZ, D. F. D.; SANTOS, L. D. P. B.; BARBOSA, A. M. S. Impactos do abandono afetivo na infância. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 2, n. 3, p. 07, 2021.

FEITOSA, D. B.; SILVA BARBOSA, J. L.; MENEOES SOUSA, K. A.; NASCIMENTO, V. S. O abandono emocional na infância e a depressão na vida adulta: uma revisão relacional de literatura. Revista FT, v. 29, n. 141, 30 nov. 2024.

MSD Manuals – Profissional. Benzodiazepinas. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/multimedia/table/benzodiazepinas.

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