Por Erika Zanoni Fagundes Cunha
Muitos tutores relatam que o animal lambe as patas o tempo todo, lambe o chão, os móveis, o ar ou até fica lambendo as pessoas de forma insistente. Em alguns casos, isso pode estar relacionado ao afeto, ao vínculo ou até ao estresse emocional. Mas é importante saber que nem toda lambedura é comportamental e tratar como algo ‘normal’ pode atrasar o cuidado que o animal precisa.
Na rotina clínica, é muito comum que esse tipo de comportamento esteja ligado a desconforto gastrointestinal, especialmente do estômago. Quando o estômago está irritado, sensível ou funcionando de forma inadequada, o animal pode sentir náusea, mal-estar e excesso de saliva. Como ele não consegue expressar isso com palavras, o corpo encontra outras formas de sinalizar e a lambedura excessiva é uma delas.
Esses animais muitas vezes apresentam um apetite caprichoso, recusam alimentos que antes aceitavam, enjoam com facilidade, salivam demais, engasgam, ficam inquietos ou têm episódios de diarreia. Não é ‘frescura’, nem teimosia, nem birra. É um organismo tentando se adaptar a um desconforto interno.
Outro ponto importante é que o estresse emocional também pode impactar diretamente o sistema digestivo. Animais ansiosos ou submetidos a estresse crônico podem ter alterações no funcionamento do estômago e do intestino, o que agrava ainda mais os sinais clínicos. Por isso, muitas vezes o problema não é apenas ‘emocional’ ou apenas ‘gástrico’, mas sim a combinação dos dois.
Quando essas lambeduras são frequentes, persistentes ou vêm acompanhadas de outros sinais, é fundamental uma avaliação mais profunda. Exames específicos, como o coprológico funcional, ajudam a entender como está a digestão, a absorção dos nutrientes e o funcionamento do intestino como um todo. A partir disso, é possível ajustar alimentação, manejo, rotina e, quando necessário, instituir um tratamento adequado.
Lamber de forma repetitiva não é normal e não deve ser ignorado. É um sinal de que algo não está bem e quanto antes isso é investigado, melhor é a qualidade de vida do animal.
Se você percebe esses comportamentos no seu pet, procure um profissional que avalie comportamento, nutrição e saúde gastrointestinal de forma integrada. Muitas vezes, a resposta está no corpo, não apenas na mente. Cuidar do comportamento começa, muitas vezes, pelo estômago.
