Crianças difíceis

Por Lizamar Machado Rodriguez

Muitos pais afirmam conviver com aquilo que chamam de “crianças difíceis”: inquietas, intensas, questionadoras, impacientes, agressivas ou que parecem não parar nunca. Crianças que não dormem bem, que desafiam limites e que, por vezes, assumem uma força maior do que conseguem sustentar. Pais e cuidadores, diante disso, frequentemente sentem-se perdidos e sem saber como agir. 

Contudo, como ensina Bert Hellinger, não existem crianças difíceis, mas sim sistemas familiares em desordem, nos quais a criança expressa uma dor, um trauma, que não é seu. Essas crianças, tão intensas, carregam um amor profundo e leal.

Elas costumam estar identificadas com alguém do sistema que foi esquecido, excluído, rejeitado, abandonado:

Olham para quem a família não olha. E esse movimento, embora inconsciente, é uma tentativa amorosa de trazer de volta aquele que perdeu seu lugar. 

Assim, comportamentos desafiadores podem surgir como respostas a traumas antigos, segredos familiares, destinos dolorosos ou injustiças não acolhidas. 

Quando o excluído é reconhecido e reintegrado ao sistema, a criança pode finalmente se aliviar, pois o peso que carregava já não lhe pertence. Muitas vezes, a mudança acontece de forma simples e rápida após o movimento de reconciliação. Um exercício sistêmico pode ajudar profundamente. Feche os olhos e visualize a criança considerada difícil. Observe sua expressão: triste, irritada, assustada, distante ou agitada. Olhe para ela com calma e diga: “Eu estou aqui. Você não está sozinha(o). Vamos juntos olhar para isso”. Permita que essa criança interior o conduza até o momento em que foi chamada de difícil. Veja para quem ela olha com amor, talvez alguém que foi esquecido pela família. Então, dirija-se internamente a essa pessoa e diga: “Eu vejo você. Você pertence. Você tem um lugar entre nós”. Acolha essa figura em seu coração e devolva-lhe o pertencimento. Em seguida, traga sua criança interior de volta ao peito e observe se sua expressão se transforma. 

Quando esse movimento de ordem e reconhecimento acontece, a criança pode seguir seu caminho, com mais leveza, e o sistema familiar volta a respirar em paz.

Procure ajuda!

Referências:

Hellinger, B. “A Simetria Oculta do Amor”.

Hellinger, B. “Constelações Familiares: O Reconhecimento das Ordens do Amor”.

Schneider, J. “A Prática das Constelações Sistêmicas”.